Kung Fu

O que é Kong Fu?


É uma pergunta muito frequente, tanto por alunos como por praticantes de outras formas e modalidades e amigos curiosos em conhecer mais esta arte da velha China.

Para responder, vou dividir em duas partes. A primeira, o que seria o Kung Fu em seu todo, além do seu aspecto marcial, depois como ele o é por mim encarado e como tento transmití-lo. A título de esclarecimento, seria mais aconselhável, quando fossemos nos referir a arte marcial propriamente dita, empregar-mos a palavra Wu Shu ou Chuen Shu, que melhores expressam este sentido.

É sabido que a palavra Kung Fu quando mencionada leva a maioria das pessoas a pensar a pensar em alguma forma de arte marcial chinesa, porém, esta palavra literalmente traduzida, refere-se à habilidade em criar ou executar alguma coisa, isto na área esportiva, artística ou profissional. Portanto, esta palavra tem um significado mais amplo do que se imagina. Os mais antigos costumavam dizer que: “Um homem possui Kung Fu, quando este é dotado de um significante caráter e conduta, além de inúmeros atributos e conhecimentos, ainda que sensíveis de poesia, música, filosofia, literatura e entre outros, arte marcial”.

Como uma filosofia chinesa chamada Tao, o Kung Fu não pode ser totalmente definido, isto porque, ele existe em todas as partes e em todas as atividades. Ele é tudo, e como explicar o tudo? ...Seria impossível além de pretensão, porque sendo tudo, ele é ilimitado, e assim, não poderia ser restrito a uma explicação, a não ser, que se refira a um processo constante de expansão, descobrimento e conhecimento, levando-nos a uma maior compreenção do “Eu”. Procuro transmitir este pensamento valendo-me de três processos. O primeiro é filosófico, o segundo é o teórico e por fim o prático.

No processo filosófico, procuro transmitir a importância do conhecimento próprio, do entendimento de nossa posição não só ao estilo ou arte, como também, em relação ao mundo que nos cerca em seu todo. Compreender a importância do descobrir, do absorver, do sentir, do pensar, do contestar ou concordar, da liberdade de expressão e opostos.

O processo teórico é a descoberta dos valores históricos da arte do estilo, bem como compreender as suas bases, seus conceitos e porque. É comum se ver alunos executarem movimentos em sua academia sem ter a mínima noção de suas finalidades, ou seja, do seu “porque”. Disse um Mestre chamado Hu Sun Long: “Há certos conhecedores que percebem as limitações de seus conhecimentos com três porquês”.

São poucos os que compreendem, ou pelo menos, procuram compreender as angulações e significados de suas formas e por conseqüência, as suas limitações.

O processo prático é aquele que mostra ao aluno que ele além de executar movimentos, pensa, sente e vive. Aprender a fazer um movimento não é tão difícil, mas aplica-lo é, por isso, não basta ficar repetindo dúzias de vezes, socos, chutes e saltos para o ar ou executar incontávelmente várias seqüências de qualquer estilo, sem que eles existam em nós mesmos, sem que sejam sentidos e vividos.

Ensinar o aluno a viver um soco, e não só a estender o braço com o punho cerrado, é ensina-lo a viver a defesa e o ataque, sintonizar sua mente e seu corpo em uma explosão única, e assim, conseguir que ele não só aprenda a executar, mas também, a se expressar vivamente com ele.

Ao final destes processos, nós mesmos percebemos que esta divisão não se faz necessária, por que não se atinge realmente o objetivo final sem a descoberta de que um é tão ligado ao outro que não podem ser separados, tendo todos o mesmo grau de importância, assim como, o alicerce, as paredes e o telhado de uma casa.

Mestre Hu Chao Hsil (Dani Hu)